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Sustentabilidade na infraestrutura de transporte
8 de novembro de 2023

Natália Marcassa mediou debate sobre certificações e padrões de sustentabilidade na infraestrutura

A CEO do MoveInfra, Natália Marcassa, mediou nesta manhã (08/11) a Mesa Redonda V – Certificações e padrões de sustentabilidade em obras de infraestrutura: experiências bem-sucedidas e benefícios tangíveis. O painel foi realizado durante o VIA VIVA 2023, seminário organizado pelo Ministério dos Transportes.
Na abertura, Marcassa destacou a importância da discussão sobre mudanças climáticas e as adaptações necessárias da infraestrutura. “Esse tema - certificações e padrões - é super importante porque é aquilo que vai garantir a qualidade de tudo o que a gente está fazendo em relação à descarbonização, resiliência e melhorias das entregas de sustentabilidade”, disse.

Marcassa citou, ainda, a necessidade de um sistema de métrica que vai permitir maior atração de investimentos. “Quando a gente tem um padrão estruturado, mostra ao investidor que o Brasil está nessa cadeia do mesmo modo que os países desenvolvidos”, lembrou.

Na avaliação da especialista Sênior Socioambiental da International Finance Corporation (IFC), Cristina Catunda, é importante frisar a adoção da hierarquia de mitigação no âmbito da gestão de risco. “Sai muito mais barato evitar o risco que remediar lá na frente. Hoje o mercado já tem maturidade para entender essa prioridade”, afirmou. Catunda ressaltou também que a IFC possui uma série de materiais de referência publicados no site para consulta de agentes e steakeholders do setor como fonte de informação parta os processos de gestão.

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, falou sobre as inciativas do setor público e privado na estratégia de desenvolvimento sustentável do setor. “É fundamental vermos o que nós temos e o que de fato nós almejamos dessa estrutura de transporte”. Ele citou a importância da diversificação da matriz de transportes, incluindo ferrovias e hidrovias, dois modais com baixa emissão de gases do efeito estufa e alta capacidade de produtividade.

Já a especialista Líder de Transportes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ana Beatriz Figueiredo, tratou da interação entre os setores público e privado com foco na melhoria do ambiente de negócios e no incremento da atração de investidores, principalmente no transporte de massa e mobilidade urbana. “O Brasil assinou o compromisso, no Acordo de Paris, de descarbonização até 2030. É importante observar como as indústrias estão se preparando para atuar de forma mais intensa na eletrificação de ônibus e outros veículos de transporte”.

Por último, o assessor técnico da Infra S.A. Gustavo de Oliveira Lopes explicou o conceito de economia regenerativa no processo de estruturação de projetos de infraestrutura. “Basicamente, esse termo é um ‘’ir além’ das obrigações contratuais de sustentabilidade. O que eu posso trazer de valor a mais para essa questão?”. Ele citou, como exemplo, o processo de plantio compensatório na BR 158, que incorporou ações de reflorestamento com espécies locais numa área indígena afetada pela rodovia.

O seminário VIA VIVA 2023 teve como tema Transição Ecológica na Infraestrutura de Transportes e reuniu, durante dois dias, autoridades, atores públicos e privados, academia e sociedade para debater sustentabilidade nas políticas, projetos e empreendimentos da área de transportes.
24 de fevereiro de 2026
A pauta sobre concessões de hidrovias voltou ao centro do debate. Recentes manifestações lideradas por indígenas em Santarém, no Pará, contra a dragagem do rio Tapajós, acenderam o alerta sobre a necessidade de aprofundarmos a discussão do uso estratégico e inteligente de nossos rios. Assim como ocorreu quando o Brasil deu início às concessões de rodovias e aeroportos, naturalmente surgem questionamentos que precisam ser esclarecidos, por mais que já não restem dúvidas sobre os benefícios de se trafegar numa rodovia concedida ou transitar por um aeroporto administrado pelo setor privado. O Brasil, com sua dimensão continental e natureza abundante, possui mais de 42 mil quilômetros de rios navegáveis – quase dez vezes a extensão linear do país de leste a oeste. Um desses rios é o Tapajós. O projeto de concessão dos serviços hidroviários – parte de um plano nacional maior – prevê a gestão de cerca de 250 km entre Itaituba e Santarém (PA). O trecho conecta os portos do Norte à região Centro-Oeste, maior produtora de grãos do Brasil. Com os serviços hidroviários concedidos, a hidrovia vai permitir uma logística mais limpa e com menos acidentes para quem transporta granéis sólidos vegetais oriundos principalmente do Mato Grosso e que seguem para o mundo, após transbordo em terminais da região Norte. Essa malha hidroviária já atende hoje, de maneira precária e com pouca segurança, as comunidades ribeirinhas para o trânsito de pessoas, mercadorias e demais atividades locais, como também embarcações para o transporte de cargas agrícolas, minerais, fertilizantes e produtos agroindustriais. A concessão irá permitir que o uso do rio seja ampliado, mais eficiente, seguro e controlado. Mais do que isso, as regras vão preservar melhor as regiões e estimular um modal de transporte com emissão muito reduzida de GEEs (Gases de Efeito Estufa). Para isso, será feita a limpeza da calha dos rios, que acumulam sedimentos ao longo do tempo como areia, terra, pedras e outros detritos. Trata-se, portanto, de um procedimento de desassoreamento, popularmente chamado de dragagem, que tem por objetivo remover os sedimentos acumulados no fundo do rio, garantindo a segurança e a perenidade no tráfego das embarcações. Essa medida, definitivamente, não traz impactos ambientais relevantes, sendo feita dentro dos padrões e normas estabelecidas pela legislação brasileira. Com as hidrovias, nosso país poderá reforçar seu potencial multimodal, evidenciado quando um produto agrícola deixa a fazenda de caminhão, passa eventualmente por um trem, é transbordado para uma hidrovia para, daí, seguir mundo afora partindo dos nossos portos. É esse Brasil grande que fica ainda maior com uso correto das hidrovias, assim como os EUA sempre usaram o Rio Mississipi e a Europa sempre usou o Rio Reno, inclusive em benefício das culturas locais. Agora é a hora. Além do Rio Tapajós, estão previstos leilões de concessão dos serviços hidroviários da chamada Barra Norte, no Rio Amazonas, nas bacias dos rios Madeira, Tocantins e Paraguai e na Lagoa Mirim (RS). Cada um com seu potencial estratégico definido e organizado para dar vazão ao escoamento da nossa produção, revertendo seus benefícios para as comunidades ribeirinhas de todo o país. Essa é a oportunidade que está colocada. As concessões dos serviços hidroviários permitirão mais eficiência com menos emissões. Virão por aí investimentos robustos, com contratos claros, metas de desempenho e uma matriz de responsabilidades que favorece a atração de capital, o aperfeiçoamento da gestão e a ligação com outros modais. Tudo isso com benefícios socioambientais assegurados em contrato. Não podemos perder a chance de integrar nossos rios na matriz logística nacional, ampliando sua competitividade nas rotas globais de comércio com eficiência, previsibilidade regulatória e sustentabilidade. Por Ronei Glanzmann Artigo publicado na Ag. iNFRA
23 de fevereiro de 2026
O MoveInfra manifesta preocupação diante dos recentes atos violentos contra empresas e trabalhadores da infraestrutura nacional em São Paulo (SP) e Santarém (PA). Defendemos o diálogo e o funcionamento das instituições de forma a preservar a segurança física e jurídica necessárias para garantir as operações logísticas no país. Invasões e agressões são um retrocesso que afeta o ambiente democrático e prejudica negócios, inclusive aqueles que promovem o desenvolvimento sustentável.
10 de fevereiro de 2026
A criação da SecexConsenso, secretaria instituída pelo Tribunal de Contas da União em 2022, representa um avanço para o ambiente de investimentos no Brasil. Ao abrir um espaço estruturado de diálogo entre órgãos públicos, reguladores e agentes privados, o TCU contribui para aumentar a segurança jurídica, acelerar processos e fortalecer a confiança de investidores em projetos de concessões e PPPs, especialmente os de maior complexidade técnica e financeira. Durante esse período, mais de 40 processos já foram analisados pela secretaria, sendo que 20 tiveram acordo homologado pelo plenário do TCU. O montante representa investimentos da ordem de R$ 300 bilhões em ativos. Apenas entre as associadas do MoveInfra, que tiveram contratos reequilibrados, são pelo menos R$ 20 bilhões em investimentos e 400 mil empregos (diretos, indiretos e efeito-renda) garantidos, mostrando que o consensualismo proporcionou agilidade na resolução de impasses e investimentos estratégicos em setores essenciais para o crescimento da economia e para o desenvolvimento do país. Vale destacar que o ordenamento jurídico brasileiro contempla a legitimidade da utilização de mecanismos consensuais de resolução de conflitos pela Administração Pública, não apenas como faculdade, mas como diretriz a ser estimulada pelo gestor público, em consonância com o interesse público e a busca por soluções eficientes, seguras e juridicamente adequadas. O modelo instituído preserva integralmente a autonomia decisória dos órgãos e entidades da Administração Pública, cabendo ao TCU papel de mediação técnica, supervisão e controle concomitante, sem imposição de soluções ou interferência indevida na formulação de políticas públicas. A atuação da SecexConsenso comprova que o consensualismo é o caminho para a resolução de controvérsias em contratos de longo prazo. Diante disso, o MoveInfra espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue improcedente a ADPF 1183, que questiona a criação da SecexConsenso.
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