Notícias
Fórum de Competitividade - Palestra de Klaus Schwab
18 de maio de 2023
Para Klaus Schwab, Brasil pode oferecer solução para economia mundial

Convidado especial do Fórum de Competitividade, o fundador do World Economic Forum, Klaus Schwab, afirmou que grandes desafios, como o da competitividade, só serão resolvidos com a união das partes interessadas, num debate de transformação social global e sustentável. Ele mostrou as principais forças que estão diretamente ligadas à transformação disruptiva no momento: econômica, tecnológica, política e social.
“O Brasil tem uma situação especial, uma riqueza especial e pode oferecer uma solução a essa rápida transição da economia mundial”, afirmou. Ele destacou a importância da valorização dos profissionais para a agenda de competitividade: “(temos) de mobilizar todos os recursos humanos para reduzir desigualdades e gerar oportunidades. Talentos serão recursos escassos. Não estamos mais no capitalismo e, sim, no talentismo”.
Ele reforçou, ainda, a importância da agenda ESG (da sigla em inglês, que significa Ambiental, Social e Governança) na discussão da competitividade. “Eu espero que as indústrias brasileiras abracem essa noção de ESG, porque isso vai atrair os talentos do amanhã”. No entanto, ele frisou que engajamento não é filantropia e citou a Coreia do Sul e Singapura como exemplos de nações bem-sucedidas na implantação de estratégias de crescimento e espírito empreendedor voltado para o futuro.
Sobre lideranças, Schwab destacou cinco pontos importantes para definir o perfil ideal para comandar essa transformação: alma (missão e visão de longo prazo), cérebro (pensamento criativo), coração (paixão e compaixão), músculos (preparado para impactos) e nervos (resiliência e flexibilidade). “Assumindo a presidência do G20, em 2025, o Brasil tem a oportunidade de mostrar ao mundo sua liderança para uma nova abordagem de empreendedorismo, que gera prosperidade, cuida das pessoas e protege nosso planeta”.
O Fórum de Competitividade, organizado pelo Movimento Brasil Competitivo e a Frente Parlamentar Pelo Brasil Competitivo, debateu nesta quarta-feira (17.05), as soluções para o desenvolvimento econômico e a superação dos desafios sociais do Brasil. O evento tratou sobre a necessidade de aperfeiçoamento do sistema tributário, da qualidade nos investimentos públicos e privados em infraestrutura, da qualificação da mão-de-obra e da ampliação da agenda de desburocratização, entre outros pontos. O evento teve o apoio do MoveInfra.

Neste momento em que o Brasil atravessa um ciclo virtuoso de expansão da infraestrutura, com investimentos que devem alcançar R$ 300 bilhões em 2027, reiteramos o pedido já feito ao Senado Federal de celeridade na tramitação do Projeto 7063/2017. O texto já passou pela Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP). Ele promove alterações importantes nas Leis 8.987, de 1995 (Lei de Concessão e Permissão de Serviços Públicos) e 11.079, de 2004 (Lei de Parcerias Público-Privadas). Entre as mudanças propostas estão a extensão do regime do aporte de recursos às concessões comuns, a previsão para reequilíbrio cautelar e o prazo para sua deliberação, além de outras medidas como a possibilidade de pagamento de valor incontroverso, a extinção por acordo e o reajuste tarifário. Todas essas alterações convergem para a modernização da legislação sob regras regulatórias mais consistentes, num ambiente de maior segurança jurídica. Esse instrumento é de elevada importância para a ampliação dos investimentos em infraestrutura no Brasil — condição essencial para o desenvolvimento do país. Por essa razão, insistimos no pedido para que o Senado inclua o projeto na pauta o mais brevemente possível e aprove o projeto com a devida celeridade.

As agências reguladoras são uma conquista do Estado brasileiro. Elas exercem papel estratégico no desenvolvimento do país ao garantir estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica em setores essenciais para a economia. O bloqueio de recursos determinado pelo Decreto 12.990/2026 compromete a capacidade operacional e institucional das agências. A limitação orçamentária reduz as fiscalizações e afeta a análise de projetos essenciais para o país, especialmente no âmbito da ANTT, ANAC, ANTAQ e ANA. Em um cenário de expansão das concessões e parcerias com a iniciativa privada no setor de infraestrutura, enfraquecer as entidades responsáveis pela regulação e supervisão dos contratos representa um risco à eficiência regulatória e à confiança dos agentes econômicos. Dois projetos de Lei, em tramitação no Congresso Nacional, contribuem para reverter esse cenário. O PLP 73/2025, de autoria do senador Laércio Oliveira (PPSE) e relatoria do senador Marcos Rogério (PL-RO), altera o artigo 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal para impedir que as atividades-fim das agências reguladoras sejam alvo de bloqueios orçamentários. E o PL 1.374/2025, complementar ao primeiro e sob relatoria do senador Jaques Wagner (PT-BA) na CCJ, modifica a Lei nº 13.848/2019 para detalhar a autonomia administrativa das agências reguladoras, reconhecendo como atividades-fim aquelas relacionadas à regulação, outorga, fiscalização, mediação e relacionamento com os consumidores. Fortalecer as agências reguladoras é uma agenda de desenvolvimento nacional. Instituições bem estruturadas contribuem para a atração de investimentos, para a melhoria dos serviços prestados à população e para a execução de projetos que impulsionam a competitividade do país. A Aliança pela Infraestrutura apoia essa ideia. Junho de 2026


